Laço Elástico Inarrebentável

novembro 18, 2008

Deus,

não é bem um problema, mas já que o padre da paróquia passa mais tempo mandando ver no coroinha do que no confessionário, preciso de alguém para um conselho.

Um bom amigo está partindo, não no sentido moribundo da expressão, mas se mudando geograficamente mesmo. Apesar dele estar indo para um país em crise, não muito bem-visto pelo resto do planeta que o Senhor denominou Terra, eu fico feliz por ele, mas triste por perder o contato diário com um irmão.

Eu sei, é egoísta, eu sei, o Todo Poderoso não tem que pagar de psicólogo, mas é um momento de angustia.

A benção.

Douglinhas

Deus:
Astuto Douglinhas,

Sinto que o âmbito de seu problema transcende suas angústias pessoais e atingem também o universo acima da troposfera, assim como outros dois universos: o dos que já deixaram sua carcaça pelo planeta e outro um pouco a direita do meridiano de Greenwich.

Costumo pensar nos laços de amizade como um grande elástico. Quando a Terra estava em sua infância, havia um único supercontinente, o Pangea. Era uma galera, todo mundo junto, organizado, dinosauros correndo livremente ao sol do meio dia. E haviam 5 muleques, de 5 tribos diferentes, diferentes criações, origens, idades, enfim. Eles se davam muito bem, eram amigos, criaram laços, laços elásticos. Pois muitas vezes sumiam do mapa, iam cuidar de seus problemas, mas o laço nunca arrebentou, porque sempre quando alguém do outro lado da conexão puxava, os outros atendiam, sempre que dava, claro. Sem desculpas, sem firulas, simples como uma cerveja gelada numa tarde morna de verão.

Mas, alguma hora as coisas mudam. As barreiras ficam maiores, as prioridades mudam e a sobrevivência passa a ser o foco principal. Como disse ali em cima, eles moravam num continente único. Acontece que debaixo desse continente exisitiam placas tectônicas. Confesso que a culpa foi minha. O pessoal não se desenvolvia, estavam entediados, estagnados. Já tinham organizado corridas ao redor do continente, era tudo uma coisa só, chato de se observar aqui de cima. Então propus um terremotinho sussa para agitar as coisas aí embaixo, com o perdão do trocadilho e da analogia sexual.Os 5 acabaram indo cada um para um canto com a separação dos continentes. Os laços se esticaram o máximo que puderam, mas não chegaram sequer a ameaçar rompimento. Um de cada lado do seu território tentou encontrar maneiras de voltar a um ponto pré definido pelos amigos, em qualquer momento da história a promessa do reencontro ficou selada. Assim a navegação e as técnicas de comunicação intercontinetais foram se desenvolvendo século após século.

O DNA de cada um e a história original dos 5 amigos foi passando de geração para geração e tomando proporções inimagináveis. A profecia sobre o reencontro deles tomou proporções muito maiores do que a Dança do Quadrado no YouTube. Era o laço elástico, maldito, se recusando a arrebentar.

Cuidado por hordas de cavaleiros religiosos, o segredo sempre esteve muito bem guardado. Alguns diziam que fazia alusão ao retorno de um dos amigos à Terra, dizendo que tinha se tornado uma divindade, o que Eu, Fucking Powerfull, não disconcordo nem acordo, nem digo mais nada para não comprometer o caráter psico-mito-antropológico da bagaça toda. Criaram enigmas, códigos, obras de arte, coreografias de ginástica aeróbica, hai kais, enfim, tudo para proteger um segredo. O que muitos fanáticos babaquinhas por aí não sabiam é que ele estava em 5 lugares diferentes. A profecia estava correta e os amigos originais estavam vindo ao reencontro, após séculos e trilhares de cadeias de DNA.

Na cidade mitológica de Eldorado, que muito acreditavam ser no Peru, mas era na Colômbia. Trazida por Vikings até a América, uma família Nórdica adotada pelos Incas deu origem ao primeiro dos 5 Herdeiros Originais do Mito da Amizade Intercontinental.

O outro era onde muitos imaginavam, pela codificação original do Mito. A cidade do Louvre aguardava mais um dos 5 descendentes da formação original. Atraido das Américas por uma paixão incontrolável regada a queijos fedidos e perfumes caríssimos, lá escolheu o paradeiro do nascimento do Herdeiro número 2.

Já o próximo vinha de uma linhagem nobre de pianistas de Pompéia. Construindo instrumentos refinadíssimos e assim por dizer, afinadíssimos também a partir de bigodes de gato e fios de pão de queijo. Porém, por mais um desastre sísmico e vulcânico, sua geração se esgotou em apenas alguns minutos, indo todos perambular como ectoplasma pelo mundo terreno até que suas pendências de resolvessem. E o mais improvável aconteceu, vida foi gerada dentro mundo dos mortos e assim nasceu o Terceiro.

Nas proximidades da Síria vivia uma família de desenhistas das areias. Faziam esculturas, até grafismos enormes sinalizando pistas de pouso alienígenas no deserto. Seu pequeno rebento já nasceu rabiscando a cara do pai na areia. Era o Quarto.

Por fim, nos porões da caravela de Pero Vaz de Caminha, um casal adolescente era treinado pelo próprio escriba oficial da Monarquia Portuguesa a enviar cartas à família. Na incessante busca pelo herdeiro, o marido inventou as primeiras rodoviárias de carroça no Brasil. A mulher, cozinheira de mão cheia, juntou alguns ingredientes básicos e uma fritadinha no óleo para inventar a coxinha, juntando temos a coxinha de rodoviária, vício de seu filho, o Quinto.

Os 5 filhotes de DNA ancestral cresceram separadamente, mas inconscientemente sabiam de sua missão. Foi quando num momento simultâneo de suas vidas que fizeram um teste. Esse teste levou-os a se encontrar e revelar a verdade que os angustiava. Assim desenvolveram mais ainda o laço elástico fraterno e isso fez com que eles percebessem que nunca ia se romper. A lenda nunca foi revelada a nenhuma outra pessoa, e só eles sabiam o destino que os aguardava, mesmo que um dia tivessem que se separar um dia, quando a verdade foi revelada, ficaram tranquilos.

Caro fiel, imagine se na época do Pangea tivesse MSN, Orkut, Flickr, Skype e etc. O que eu quero dizer é que a saudade morreu meu caro. Morreu em parte, claro, mas morreu na forma assassina e romântica da palavra. Claro que não vai dar pra dar aquele abraço, beber uma cerva ou jogar uma partida de videogame dando uns tapas no cara do lado, mas o contato, de uma forma ou de outra ainda está lá. E o mundo digital afrouxou o laço elástico da amizade mas esticou ainda mais o da distância.

O pequeno causo acima ensina que não devemos perder fé em nossa própria força para rever aqueles que nos fazem bem e fazem parte da nossa história. Eles sempre estarão diretamente ou não, nos nossos planos de vida. E nós nos deles. Até que venha a próxima geração e eles sejam ensinados com os mesmos valores e mantenham os mesmos fabulosos laços elásticos inarrebentáveis da amizade e camaradagem.

Seu amigo vai fazer uma puta falta, sempre, seria idiota de enganá-lo que não. Baladas não serão mais as mesmas, e a cerveja por mais gelada que esteja, ficará um pouco mais morna a cada lembrança. Contudo, fique tranquilo, mantenha o MSN online nas madrugadas e passe na embaixada para garantir um encontro internacional por ano.

Agüinhas Santas respingadas com a ponta dos dedos em sua face,

D.

“Ihre Nachkommen werden leistungsstarke auf der Erde: die Generation der Herausforderungen wird gesegnet.” Salmos 22:11

Amore mio

junho 20, 2008

Papai do Céu,

Meu namorado me trocou pelo Corinthians ontem.
E ainda não me escreveu um cartão de dia dos namorados.
Quem ele pensa que é? Deus?

Sra. S.

Deus

Cara Sra. S.,

Como bem dito aqui em posts anteriores, exceto por aquele time verde com nome de árvore tropical, os outros três Grandes do Brasil são devotos de alguma ramificação de minha autoria, na vertente católica.

Os Coríntios, de cujo time em devoção à, você se refere, conquistaram a segunda maior parcela de brasileiros fanáticos pelo Ludopédio, atrás somente do Rubro-Negro da alçada de São Sebastião.

Como bem deve saber, este grande conjunto e nação adjacente, foram rebaixados para a segundona. Triste sufuciente para uma geração morrer sabendo que vivenciou este momento. Mas logo deu a volta por cima, chegando à partida final de um semi-importante-campeonato-classificatório. E perdeu. Assim, comparo o dia de ontem como uma pessoa que viu a luz no fim do túnel, com um futuro genial, mas tudo não passava de uma miragem do tinhoso. Triste dia.

Seu namorado é Deus sim, e Deus é Corinthiano, mas não te ama menos do que qualquer outra coisa no mundo. Para mim, você nunca poderá ser considerada minha criação pois nunca poderia imaginar que existiria algo além da perfeição. E nunca imaginei que houvesse mais amor do que aquele que eu sinto por você, mas ele insiste, irritantemente, em crescer só de pensar em você.

Pequeno ser, o que há em você é algo além da minha compreensão. A atração que você tem sobre mim faria os planetas entrarem em colapso e se fosse convertida em força gravitacional a Lua seguiria seu olhar onde quer que ele fosse. A saudade foi inventada quando fiquei 10 minutos sem pensar em você.

Quando era criança (sim, Deus teve infância) caminhava a beira de um riacho barulhento, acompanhando o curso das águas, sua textura no raso chão de pedregulhos. Sentia a brisa fria nos meus cabelos, ouvia o farfalhar das árvores e os pássaros meu redor. Mesmo assim, seguia concentrado nos caminho das águas. Me divertia jogando pequenos galhos para vê-los sendo levados pela força inexplicável daquele pequeno curso d’água. A criança em mim vivia o momento. Sabia que tinha que voltar para casa, que havia obrigações, mas isso não passou uma vez sequer pelos meus pensamentos. Tudo que importava era tentar entender e curtir a natureza ao seus redor e o pequeno riacho que tanto o intrigava. O presente, a leveza, a felicidade e a despreocupação imperaram aquele momento. Quando cresci, perdi e fui em busca dessa percepção de presente, e só o presente. A força do momento, a concetração no que importa agora, a inocência de não se importar se amanhã será um dia difícil.

Quando te olhei nos olhos, você estava dormindo e, por algum motivo, você abriu um dos olhos, me deu um sorriso e passou a mão no meu rosto e a sensação da criança que fui um dia, naquele momento, na beira daquele riacho, me preecheu. Se tinha esquecido porque inventei a infância e todos os sentimentos contidos nela, que talvez não possamos explicar, justamente por não compreedê-los tão bem, fui lembrado na hora que vi você sorrindo para mim. E até hoje, quando acho que consigo explicar, não acho palavaras suficientes

Te amo meu amor, feliz Dia dos Namorados.

D.

Deus me paga

outubro 23, 2007

Palhaçada.

Sr. S.

Caro Deus,
gostaria de começar dizendo que nunca fiz nenhum pedido
antes, para que não houvesse o risco de não ser atendido
quando fosse realmente necessário.
Pois bem, a necessidade chegou e, assim como outros fiéis,
venho lhe fazer meu pedido.
Deus. Dá pra acertar a pendura que o Sr. tem comigo??? Pelos
meus cálculos, deve dar uns R$6.328,99. Desculpe chegar
assim e cobrar na maior cara de pau, mas eu estou passando
por uma dificuldade momentânea e resolvi cobrar todos os
“DEUS-LHE-PAGUE” que já ouvi até hoje. Será que podemos
chegar num acordo?

Mui respeitosamente, seu crente e credor,
Sr. S.

P.S.: Podemos arredondar esse valor dos 0,99 pra cima. Estou
sem troco. Se quiser posso te dar uma balinha.

Deus:

Bom dia Sr. S.,

Quem julga se os pedidos são necessários ou não sou eu, não você, então me poupe dessa sua introdução barata para amenizar um pedido chulo como o que veio a seguir. Se você nunca fez um pedido é porque deve ser um pecador de primeira categoria, um hipócrita de carterinha, com culpa no cartório, registrada e firma reconhecida.

A pendura que eu tenho com você? Quem raios trovoantes é você amiguinho? Nada mais que uma formiga na mira da minha lente de aumento sob a luz do sol. Sinta seu traseiro cheirando a churrasco. Tsssss. Dou-lhe um asfixiante no alto da sinagoga que você vai querer que a pendura a acertar seja a do seu pescoço na forca. Se você fosse advogado e hoje fosse dia 11 de agosto, até deixaria passar o calote nos restaurantes. Mas pendura de “Deus lhe pague”? Puta madre que pariu-te. Eu pago sim, mas adianto que você vai receber em tapas na cara, voadora nas costas e socos no coração. Ou converta cada centavo em um segundo sem respirar, camará. Sinto cheiro de azeite de dendê e tenho vontade de crueldades não inerentes à minha natureza.

Deus lhe pague é uma forma de ir para o inferno mais rápido. O bilhete é único e sem volta. Essa forma lisa de escapar de dívidas ínfimas é uma demonstração escrota de mesquinharia, descaso e complacência com formas homo-platelmintas habitantes dos concretos que comandam o Brasil. É uma forma de roubo. É deixar o filho do carpinteiro, que ouviu o “Deus lhe pague” sem dormir a noite por estar passando fome. E você tem coragem de me fazer pagar pela cara-de-pau alheia? Ora, ora, ora Sr. S. o Sr. deveria ser mais espertinho, não? Perece ser do tipo que compraria um terreno na lua se abordado por agente imobiliário espacial na barraquinha de dogão.

Fico muito feliz por acreditar que um dia, no alto na minha bondade, pagaria essa pseudo-dívida, mas eu não tenho cash filhão. Você acha que aqui se chama paraíso porque? Você não paga nada, e todos os problemas financeiros do mundo não são meus. Pede para o George Soros, o Bill Gates ou algum magnata molusco do tipo que limpam seus ânus com a cara do Benjamin Franklin.

Podemos chegar num acordo sim, você morre e eu decido o que fazer com sua pobre alma penada pessoalmente, fechado?
Deus é justo, lembra? Farei meu melhor.

Ajustar o valor? Balinha? Assinou a sentença. Sem chance. A vida real é outro esquema. Tá passando dificuldade se vira. Ninguém é bobo e se precisar saia rastejando para conseguir o que quer, eu não dou a mínima. Acho que você deveria se familiarizar com o ditado “Deus ajuda quem cedo madruga” ou a frase “Deus castiga”, oriundas de sábios pedintes do portão celestial. Cobre quem te deve, porque que eu saiba, você só não nasceu com rabo por minha vontade, mas se continuar desse jeito campeão, você vai parar no youtube logo menos.

É nóis mano,

D.

“Ó DEUS, por que nos rejeitaste para sempre? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? Porque me devem, seus salafrários sem vergonha – respondi.” Salmos 74:1

Demônios na terra da garoa

outubro 16, 2007

Geralmente, quando dou meus bordejos pelas bandas terrenas, vou na miúda e nem falo nada, mas a noite de ontem merece uma dica divina. Não irei entrar em detalhes pois pretendo fazer apenas um ou dois comentários.

Este que vos fala, divinamente, compareceu ao show do Incubus, ontem em São Paulo. Logo nos primeiros segundos de show, confesso que senti uma energia que pouquíssimas missas e homenagens a mim conseguiram transmitir em toda minha existência e onipresença sensitiva. E os caras tocam para caralho. Fiquei pequeno perto do controle massivo que exercem com sua música.

Recomendo a todos essa banda com nome de demônio, com origem em Calabasas, Califórnia e que tem, aproximadamente, 16 anos de estrada (oficialmente são 12) e ordeno que quando ouvirem, coloquem o volume no talo.

Quem ficar surdo ouvindo Incubus ganha lugar tratamento especial na fila de deficientes auditivos do bandeijão celestial.

D.

Se cair da montanha, morro

outubro 11, 2007

Uma questão bizarramente indecisa.

Srta. Ve.

Caro Deus, sei que é egoísmo da minha parte querer tudo. E até entendo que deva ser mais divertido assistir o Big Brother Terra quando existem algumas dificuldades. Ou pseudo. Mas qdo o Senhor inventou o livre arbítrio e as escolhas, por que decidiu que quando temos que escolher entre duas coisas, essas coisas são sempre tão opostas? Escolher entre um vestido azul ou um verde é muito mais fácil do que decidir entre casar ou comprar uma bicicleta.

Abraços

Ve.

Deus:

Querida Srta Ve.

Não quero parecer machista, mais uma vez, mas essa dúvida de escolhas é inerente ao sexo feminino. O livre arbítrio é um item de série que se desgasta ao longo da decomposição humana pela terra até chegar à inevitável perda da carcaça e liberação, ou não, da alma. A única coisa que você não escolhe é perder seu corpo. E as mulheres, numa ânsia inexplicável, acabam se corroendo ao tomar decisões da qual não estão seguras. Juro que se pudesse os cartões de crédito das mulheres viriam com uma carga extra no saldo, mas aí a vida ia ter bem menos graça para os homens.

Agora, posso estar sendo sarcástico, mas você parece entrar em dúvidas no mínimo curiosas. Casar ou bicicleta? Onde já se viu isso dona? Você está comparando seu futuro marido à uma Caloi 10 ou uma Barra Forte? Que coisa interessante. Quando imaginei os asmáticos dilemas humanos nunca achei que chegasse à esse ponto. Já vi, ouvi e vivi inúmeros conflitos fúteis, como ir à praia ou à montanha no feriado, decisão babaquinha né? Pois não, tem gente que se mata numa dessas. Se Maomé fosse indeciso, a montanha estaria no meio do caminho. E digo mais, sua dúvida é extremamente inválida e idiota. Quando formular uma questão desse calibre, mocinha, use exemplos que as pessoas não pensem que você é um pouco lenta, só para ser ameno. Ou formule a sua dúvida para que eu e os pobres leitores desse blog divino, entendamos o que você quis realmente dizer. Você é prima do mico leão do post ali de baixo?

Entenda que todas as coisas são relativas. E que o infinito de escolhas que você pode fazer na vida nunca deve, nem pode ser julgado. Se você escolheu a Caloi 10 ao invés de um casamento no fundo do seu quintal com uma garrafa de guaraná jesus (claro) e um pacote de torcida bacon (porque deve ser isso que vale uma Caloi 10 comparada à um casamento) eu não tenho nada a ver com isso. Você poderia ter escolhido entre o Tahiti e as Ilhas Fiji, mas teria que bancar sua escolha, claro. Ainda assim são dois lugares geniais e não tão diferentes e com uma faixa de preço bem parecida.

Quando criei o mundo e o universo tive que fazer escolhas eu mesmo, e, caralhos verdes flamejantes, foi muito foda. Imagine só escolher onde aplicar cada clima, a posição do sol, as cores das plantas. Puta que pariu. Imagine se o céu fosse magenta, o mar amarelo ovo e as plantas roxas. Pois é. Uma grande merda daltônica, e você ainda vem me falar que quer tomar decisões como casar ou comprar uma porrinha de uma bike. Veja bem lindona, acho que alguém tem problemas em alinhar as escolhas por tema.

Amanhã é Dia de Nossa Senhora, você acha que não estou tendo problemas para achar um presente à altura? Raios! As escolhas são difíceis mesmo. Mas quando fizer uma delas, assuma, agarre com força e vá em frente. Porque quando você escolhe algo no qual tem uma dúvida cruel se deve tê-la ou não, nunca estará satisfeita e sempre um pingo de arrependimento irá assombrá-la pelos pensamentos mundanos que habitam sua pobre e indecisa consciência.

Acabo de me lembrar de um fato em que Sto. Antônio, no auge de sua perversidade andava por um campo, quando encontrou um lago onde duas belíssimas garotas se banhavam nuas. Quando viram Tony chegando foram para o fundo e gritaram: “Você nunca nos verá nuas, não sairemos daqui enquanto sua figura não desaparecer no horizonte!” Tony tinha agora uma escolha nas mãos. É óbvio que ele não iria se entregar fácil assim e com a criatividade de um sagui malabarista soltou a seguinte pérola para conseguir o que estava querendo: “Nao tem problema mocinhas, eu só vim aqui para alimentar os crocodilos.” E fez-se o menage à trois. Sacou onde quis chegar em relação à tomar decisões rápidas? Sempre tenha um objetivo.

Observe direito o mundo que criei com tanto afinco e carinho, à sua volta para perceber que as escolhas que você faz nem sempre são opostas. Você acredita que existem muitos seres imbecis na Terra que se enterram como um maldito avestruz nos seus pensamentos e inseguranças, ao invés de fazer a escolha de viver e ser feliz? Pois é, isso é muito mais comum do que eu gostaria que fosse, e cada vez que vejo uma situação dessas tenho vontate de chamar o Capitão Nascimento e sua trupe do saquinho para botar ordem na parada, e olha parceira, o mundo não vai parar de girar por causa disso. Vai na manha que você escolhe a lasanha. Tenha firmeza e irá à represa. Com preguiça não há linguiça. Tranquilo se chega ao mamilo.

E lembre-se sempre: incêndio é fogo!

D.

“Os indecisos andam por toda parte, quando os mais vis dos filhos dos homens são exaltados, chamam a sementinha do mal” Salmos 12:8

Sobre charutos e bicicletas

outubro 2, 2007

Besta, testa, vespa. Sem pé nem cabeça, caminhava olhando para trás.

O cavalo uivava para lua, e o coiote levava o dinheiro de todos na mesa blefando com um par de nove.

– Onde estão todos? – gritava o maquinista, deseperado porque sua esposa não havia passado goma em seu belo chapéu azul com listras brancas.

O esquimó dançava frenéticamente ao som do vento leste. O pôr do sol atrasou uma hora.

– O que esta acontecendo aqui? Eu já disse para o chá não esfriar nas tardes úmidas de outono. Olha o seu relógio menino!

Adjetivo, substantivo, advérbio. Conjunção, conjuntivite, sono. Deixa essa remela que o João Pestana vem tirar para você de noite.

A não dormência dos dedões era um fenômeno preocupante naqueles tempos. Mais que o Ronaldinho. Muito mais.

O anão jogava truco com seus amigos na mesa das crianças. Quando gritou SEEEEEEIS (pense naquela voz de anão meio gás hélio) e bateu na mesa, seu adversário aceitou. A dupla da esquerda ganhou de zero. Não tiveram problema em passar debaixo da mesa, afinal foram na mesa dos adultos. Depois do jogo continuaram a assobiar.

Um belga ganhou o campeonato mundial de assovio. Será que os belgas aprenderam com os canários ou os canários com os belgas? Falando nisso, se Bélgica está para se tornar unidade de medida logo menos seria justo que os belgas também virassem uma medida, só que menor, óbvio. Belga, belga, belga, belga, Bel, Ga, Isabel, Gabriel, Bel, Ga belga. Ficar repetindo uma palavra faz ela perder totalmente o sentido e ficar estranho. Vira um som. Um som bem idiota por sinal. Belga. Pff.

Um abraço e atenciosamente,

Um cara com sono, muito sono,

D.

“Cantai a glória do seu nome; dai glória ao seu louvor. Só não fazeis brigadeiro com leite condensado glória.”

Ó vida, ó azar

outubro 2, 2007

Cada vez que visito o Nepal e o Tibet acabo pegando uma gripe daquelas e sempre acabo com uma crise de espirro. E quando uma gota desse catarrinho divino cai na cabeça de um bebê, ele vira o próximo zen-iluminado. Esses dias estava batendo papo com Dalai Lama, minha representação budista terrena e fiquei pensando na vida e nos seres humanos, sem sarcasmos ou trocadilhos. Por coincidência recebi esse e-mail e elaborei uma breve resposta para reflexão.

G:

Ohhh, meu Deus porque nós humanos temos esse dom de reclamar de todos e tudo???? Nunca nada esta perfeito, sempre encontramos alguma maneira de encontrar uma falha ou defeito nas coisas e nas pessoas. Sempre estamos reclamando do trabalho, das relações afetivas…. porque ????

obrigado
G.

Deus:

G.,

A reclamação da vida, do universo e tudo mais tem uma explicação essencialmente fundamentada no medo. Os humanos tem, por instinto básico sociológico, ambições, metas, projetos, sonhos, amores enfim. E a maioria das pessoas também tem MEDO. Medo de arriscar, medo de se abrir, medo de falar o que pensa, medo de ladrão, medo de pular de paraquedas. E isso gera ansiedade e defesas. A busca pela felicidade sempre foi o maior objetivo humano, maior até, temo dizer, que a busca pelo Graal. Mas hoje em dia todo mundo sabe que o Graal fica na Castello Branco, por volta do quilômetro 30. Outra característica do homem é a imagem que ele tenta passar, para ele mesmo e para as outras pessoas. E como barreira para não transparecer o medo, a ansiedade e assim paraecer fraco diante de seus companheiros e de si mesmo, o homem reclama e cria falhas, desculpas e situações inexistentes. Mal sabe que a culpa é toda dele. Se todo mundo arriscasse mais, dissesse mais o que pensa, não se enganasse, principalmente em relação aos sentimentos, o mundo já daria um passo a frente. Veja bem, o mundo perfeito nunca vai acontecer, a existência do ser depende de altos e baixos, mas dessa vez estou falando de casos extremos, como duas pessoas apaixonadas que se enganam dizendo que são simplesmente amigos e voltam para casa com o coração vazio, pessoas talentosas que não mexem um dedo para aperfeiçoar sua dádiva e reclamam que a vida está uma merda, e pessoas conformadas com a tragédia, mas que ainda assim exigem seus direitos nas mãos de outros. Até Deus reclama, pois confesso que os seres humanos deveriam estar alguns estágios a mais na cadeia evolutiva.

A vida é algo muito mais simples do que todo mundo pensa, contudo a tarefa mais difícil e dolorida, fisica e psicologicamente é rasgar o peito e ser sincero consigo mesmo e com as pessoas à sua volta e não só dizer o que quer e o que pensa mas agir para que isso aconteça. Fugir é muito fácil, se enganar é muito fácil, dizer que a fase não é a ideal é ridículo. É como se os desafios da vida fossem um gato e você um rato escondido no seu buraco. Não é bem por aí. A sinceridade traz felicidade, leveza, paz de espírito. As pistas e sinais estão em todo lugar mas as pessoas enxergam o que elas escolhem enxergar e esse é o começo do sofrimento. Reclamar é algo que pode trazer respostas, mas em excesso só traz energia negativa, e você ainda corre o risco de ficar com fama de mala. Encontramos falhas nos outros para encobrir as nossas, eu incluso. Posso até ser trilhões mais evoluído que a raça humana, ainda assim tenho falhas, pois todo ser que pensa tem dualidades e conflitos internos. E admiti-las e reconhecê-las rápido é o que me faz diferente e o que me fez evoluir. Experimente tentar não passar uma imagem sólida, seja mais humilde com você mesmo, siga o seu coração, arrisque. Posso ser muito sarcástico as vezes, mas quando o assunto dá margem para uma análise mais “Lair Ribeiro”, até Deus fala o que está realmente sentindo. A natureza foi criada para ser mecânica, fundamentada somente na sobrevivência, já o homem cria problemas para serem solucionados, constrói para destruir, e quando as coisas dão errado, reclamam. O homem é um problema criado por Deus para ser solucionado, porém a solução ou destruição virá do próprio homem.

Pare de reclamar, seja sincero e tome uma atitude quando achar que algo está errado. Tenha princípios, mas saiba reconhecer quando estão ultrapassados, tenha ideologias e mude conforme sua vida muda, seja você mesmo, mas não seja sempre a mesma pessoa e não tenha medo do que você ou os outros acham que você é. Deixe pensamentos, atitudes e pessoas irrelevantes passarem como a leve brisa, e se segure aos que importam como a vela de um barco segura o vento. Lembre-se que quanto mais tempestade a vela segurar maiores são as chances do barco virar. Aprenda os princípios da filosofia Zen e verá como no mundo não há lugar para reclamações triviais e chatas e que isso só gera mais reclamações e paranóias, como a sua, caro G. que reclamou das reclamações. Tente ser tranquilo e a serenidade virá e se tornará surdo para reclamões.

Para discursos de formatura, aberturas de festas de bairro, palestras de auto-ajuda e roteiros filosóficos sobre protetores solares: haeluyah@gmail.com

Um olhar de sabedoria,

D.

“Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.” Coríntios 8:13

Escrito por Deus, Lido por Mim

setembro 19, 2007

Uma dúvida polêmica. Acho que talvez possa discorrer bem mais sobre o assunto mais para frente.

H.J.

Deus,

certa vez, na missa um senhor ao meu lado disse que os padre são a voz de Deus na Terra. Agora que você já consegue se comunicar com os fiéis diretamente as igrejas e os padres vão viver do que?

Agradecido

Henrique José

Deus:

Caro H.J.,

Entenda uma coisa antes de tudo. Os padres e sacerdotes em geral, apesar de extremamente fiéis a mim, andam sempre cagando regra e achando que manjam alguma coisa a mais do que o resto dos pobres mortais. Tudo picardia. Sacerdotes são como consultores. Têm contato direto com a presidência, têm acesso a diversos dados, analisam tudo friamente, mas na verdade não sabem nem metade de toda porra que acontece por aqui. Todavia devo admitir que são vitais para o bom funcionamento do business, apesar de terem, entre outras, essa mania ridícula de falar em meu nome. Isto não está autorizado e poderá constatar pessoalmente, caso desça para a sauna de Satã. Verá um monte daquelas cabecinhas de ninho de pomba dos freis e outros que se julgavam meus porta-vozes, enterradas na merda até o nariz por toda a eternidade, sendo afundados em um caldo fecal cada vez que pensam em mim. E olha que o contingente do malacosacerdotismo infernal ganha dos que estão aqui em cima. É uma joint-venture que tenho com Lulu. Envio os 171, ele evita que eles peçam socorro e ainda se diverte.

Tenho que confessar que quando recebi sua pergunta fiquei tentado a entrar profundamente em tabus e questões polêmicas, principalmente envolvendo a Igreja Católica. Contudo voltei atrás e me lembrei que sou onipresente, tenho diversas faces, personalidades e também, no que diz respeito ao tema, ministros variados. Ministros, é, o nome não é à toa. Esses pilantras em sua maioria, mentem para sobreviver, convencendo você e sua avó que eu disse isso mais aquilo, que Deus mandou, que se pagar vai para o céu e ene mais ladainhas escamosas e contaminosas. Eu tão fico puto com isso, tão puto, caralho… perdi o raciocínio…

Tá, para contextualizar: comecei a empreitada em comunicações online para adquirir transparência e esclarecer algumas dúvidas de fiéis interessados no procedimento divino. Lancei meu próprio meio de contato P2P, disfarçado de sueco, com aquela marca de nuvenzinha genial, o Skype. A partir daí perdi um pouco de interesse nos fiéis e ficava me comunicando com o pessoal da firma, inclusive Celeste, a secretária da ala norte que tinha uma webcam de 2.0 megapixels e um decote de 250 mililitros. E como já contei, fiz a hotline blogueira para atender um pedido de socorro e também por insistência de Nossa Senhora, que nunca mais deu as caras por aqui.

Os padres que se fodam, o negócio deles sempre foi uma representação comercial chula, com brindes e templos de quinta categoria e regras babacas. Todo mundo sabe disso, inclusive os inocentes fiéis que fazem doações esdrúxulas e inviáveis. Eu não tenho nada com isso. Sei que poderia interferir, mas meu sarcasmo em relação à raça humana me impede. Os padres vão viver de retórica, que é a única coisa que sabem fazer bem. O que me consola é que muitas religiões têm doutrinas e filosofias extremamente benéficas para o desenvolvimento humano, inclusive algumas que acabei de condenar. Fiéis que tiverem uma combinação de atos merecedores virão para cá, jogar um truquinho na mesa de ferro, tomando uma cerveja. Sacedotes que mentirem em meu nome assinam contrato para participar involuntariamente da joint-venture Deus-me-acuda-Satã-me-afunda e engrossarão o caldo da merda eterna. Os que se comportarem e fizerem o bem ganham décimo terceiro e participação nos lucros no final do ano.

Minha presença online não ameaça nem uma mosca morta, já que a descrença impera e os pageviews deste blog ainda não ultrapassaram nem o número de estagiários efetivados em agências de propaganda nos últimos 30 anos. E isso é culpa dos fiéis e ninguém menos do que eles. É o exemplo do campeão que cola um adesivo no Kadett filmado, sem calota e com aerofolio, escrito “Guiado por Deus”. Dois dias depois o filhote de puta enche o cú de cachaça, enfia a carroça no primeiro poste e ainda diz que eu guio mal. Quem vendeu o adesivo para ele? Respondido?

Na próxima missa, chute a canela do senhor do seu lado e quando ele se abaixar de dor, dê-lhe um soco no coração seguido de uma voadora nas costas, quem sabe ele aprende. Use a energia dos espasmos de dor no contrafluxo a seu favor, como ensinava Senhor Miyagi. E pode dizer que Deus mandou, essa eu autorizo.

Um roundhouse kick seguido de um trovão,

D.

“E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito: Chuck Norris é Deus” Apóstolos 15

Redenção

setembro 13, 2007

Deus às vezes esquece que é Deus e sai divagando por aí como um reles mortal, cheio de inseguranças, ímpetos e angústias. Isso pode ser um grande pé no saco a maioria do tempo porque é incrível como os idiotas dos seres humanos conseguem cagar tudo com poucos atos. Como disse antes, fico abismado como a burrice humana parece quebrar seus recordes a cada vez que alguém grita um palavrão no mundo. Antes fossem orgasmos.

Mas aí, nas andanças, completamente absorto em minha humanidade, conheço muitas pessoas. E em muitos casos me arrependo da criação do ser humano, mas ultimamente, um ser, um só, fez tudo valer a pena, fez a criação dos Alpes, das praias do Tahiti e da Bahia, do Taj Mahal, da aurora boreal na Antartida e da lua cheia no inverno, ficarem no chinelo. Há eras não sentia algo que pudesse ameaçar meus próprios poderes e nesse impulso de pudor e medo, travei as quatro rodas, como um jumento que empaca a caminho da casa do capiau.

A natureza divina é compartilhar, sempre, é o que chamam de Luz Divina e o Escuro é o Ego, é o que os humanos costumam sentir, o quero tudo para si. Todavia, como os mesmos criadores dessa teoria dizem, uma gota de viver ganha de uma tonelada de saber. E posso até estar escrevendo, teorizando, pensando, mas se Deus não age, o que será da humanidade, e do amor? Concluo que sou uma anta, uma ameba retardada. Neguei coisas tão explícitas que parecia um míope astigmático com 10 graus em cada olho tentando ver estrelas no Hubble.

A profundidade de todo o Universo não está nem no primeiro grau da sensação de conviver este pequeno ser. Abraçá-la, tomar uma cerveja, observar seu comportamento, seus conflitos e entender a atenção dada à mim geraram um impacto cem vezes maior que o big bang. Parecíamos velhos amigos em tão pouco tempo, não via a hora de encontrá-la e continuar a conversa que não terminamos. E Deus, eu, burrão, abandonei os sentimentos na esquina como um cão, transformei meu coração em um buraco vazio e senti a saudade bater como um trem bala no estômago. Se soubesse os mistérios e o poder que uma sensação tão boa causa nas pessoas, semearia isso pelo universo, em doses controladas claro, senão o mundo voltaria aos anos 70 e ficaria lá para sempre. Em meu desejo, pudor e medos, não desdobrei o que poderia ser uma história genial e caminhei em direção à escuridão. Lúcifer estava com a mão estendida e o botão de desce já estava apertado.

Então, só de lembrar do sorriso e da voz desse ser, que parece ter fugido dos versos de um poeta e sorrido para a saudade, tive e tenho vontade de deixar tudo por aqui e viver uma vida mortal. Acho que os sonhos se tornam realidade, e cada segundo ao seu lado tenho menos vontade de acordar. Sua imagem me fez voltar e reconhecer que até Deus é vulnerável. Incrível como um ser tão pequeno, tão tranquilo pôde deixar o pensamento divino como um mar revolto do Alaska. E seu coração batendo na escala Richter.

Só posso pedir o seu perdão, me perdoa?

D.

Bloody Fucking Mary

setembro 6, 2007

Mais um querendo teste de paternidade e megasena acumulada.

Sr. L:

…Deus todo poderoso e repleto de mojo…

Enquanto minhas preces antigas não são respondidas tenho uma rápida pergunta que não quer calar e um pedido:

Pergunta;

Na missa, por que falamos “Creio em Deus Pai criador de céu e da terra e em Jesus Cristo seu único filho.”

Oras, se o senhor é Pai… nosso Pai do Céu… como pode ser Jesus seu único filho???
Não compreendo essa questão de paternidade e estou cogitando ir no programa do Ratinho para resolvê-la!
Haja DNA.

O Pedido:

O Sr seria benevolente ao ponto de me agraciar com o prêmio da mega-sena esse sábado. Já apostei e é claro que vossa Onisciência já conhece os números! Por favor! Melhor para mim do que para cariocas tontos que se casam com vadias assassinas que os matam achando que vão embolsar a grana!

Hosana!

Deus

Mojo, caro fiel, muito bem lembrado na atual conjuntura da blogosfera divina.

Jesus é meu único filho, mas sou Pai de todos vocês. Entenda que o significado de paternidade vem daquele que cuida de todos, que olha pelas pessoas como se fossem seus próprios filhos. E você, campeão, também está na minha mira. Faça o bem e terá cativa no dominó de domingo, o “The World Domino Cloud Championship” com transmissão ao vivo de minha própria operadora de TV, a SKY. Faça o mal e te mando para o lamaçal efervescente de Lúcifer com carta de recomendação.

A história do pequeno Jéza, meu filhão magrelo cabeludo, é muito mais complicada do que você jamais imaginou. J.C. era para ser filho de José, mas o José era um merda, uma bichona enrustida, um cara meigo, para encerrar o assunto. Estava eu e Santo Antônio, que naquela época não era nem santo e nem ninguém chamava ele de Antônio. Ele era conhecido pela área como Tony, Sedutor de Elite. Eu estava a passeio na quebrada do Tony e ele, como elemento com vasta coleta, me levou a uma boate VIP à caça de umas bactérias, só na boleiragem.

– Aí D., se liga na bolinha do blanka que aquela rasgada tá te fitando irmão.
– Pode crer Tony, tô mó gardenal hoje, e tá cheio de bosch aqui hoje.
– É memo véio, você tá abioladasso hahaha, mas que porra é bosch?
– Bosch das furadera tá ligado? Mina furadeira? Só lamento hein Tony…
– Saca só a cabroxa passando alííí uhuhu
– Olha a irmã dela sangue! Cola lá corroió! Teu estilo cachorro não falha!

E fui pegar mais um Bloody Mary no bar enquanto Tony foi aprontar com as cocotas. Ele adorava contar que me conhecia, e convertia qualquer espectro de Paris Hilton em uma freira safada em questão de segundos. Nessa empreitada Tony colou na segunda cocóta mais gata do local. A primeira era a irmã dela, Maria, ou Mary, na época de ouro das disco balls de ponta de lança. Dizem por ái que o drink que eu estava tomando na ocasião era uma homenagem de um solitário barman àqueles dias do mês em que Mary ficava ensanguentada e todos os machos da área saiam quicando, inexplicavelmente, pelas beiradas. A feira daquela semana sempre era a mais produtiva, buracos apareciam em bananeiras, barangas eram fornicadas sem dó. E Mary, a mais gostosa, era casada com o José, o primeiro devoto do Paulão do vigésimo quarto, como já citado por aqui. Portanto rezava a lenda que a mina era virgem. Virgem. E eu, Deus, estava no quarto drink, já pra lá de Bagdá, literalmente. Estávamos em Belém, mais precisamente. Como não tinha nada a perder, fui bater um papo com Mary, que, tímida como era, ficou rosada com meu aproach um tanto cavalheiro se comparado a Tony, que chegava sem cueca embaixo da bata e mostrava como se equilibrava as duas azeitonas e um copo de martini em sua protuberância. Claro que todas caíam nessa como dedos encontram narizes no farol fechado.

Enfim, cheguei na Mary:

– Iaê, cê que a Mary?
– Sou. Hihihi
– Tu é mó cocóta broto, qualéquetápegando?
– Ah, num sei. Num gosto desse tipo de lugar e tenho marido em casa.
– É memo? Eu não sou ciumento.
– Ai, pára. Eu não posso trair o Zé, nunca.
– Toma um gole da minha birinights e vamo bate um lero.

Papo vai, papo vem a mulher deixou a bola pingando na área, sem saber que eu estava vindo mais embalado que o Mirandinha nos gloriosos tempos de Coringão:

– Então Mary, to sabendo que teu marido é um shaishangue, um pederasta colírio dos bons.
– Ai D. é que eu amo outra pessoa, por isso que sou casta e casei com o pipeta do Zézinho.
– É memo mina? E quem cê ama?
– Eu amo a Deus! Deus todo poderoso, universal e bondoso. Amo a ele e somente ele!

“Ah muleque safado da porra, se dei bem!” Foi o que passou na minha jovem cabeça maloqueira. Na hora mostrei para a mocinha o São Graal. A mina desacreditava. Fomos para um holtelzinho zuado com cheiro de tapete voador mofado. Fiéis, podem pensar o que quiserem, mas se uma virgem gostosa se declarasse para vocês, o que fariam? É, não é a toa que são minha imagem e semelhança seus calhordas. Foda que na hora estávamos sem camisinha e acabou rolando daquele jeito, mó nóia.

Dia amanhecendo, eu naquela puta ressaca com aquele gosto de calango assado na boca, saí para comer um kibe e um faláfel na padoca do Salim e quando voltei Mary já tinha abandonado o recito. Porque se o José pegasse ela fora de casa aquela hora, teria um chilique. Saindo do Camelo´s Hotel, encontro Tony cambaleando e disse a ele que ia voltar para casa. Tony tem uma pá de história cabulosa, mas fica para outras.

9 meses depois, recebo a ilustre presença de um dos arautos do cão. Uma advogada, com uma intimação de pensão, dizendo que eu era pai de um moleque. O Jesus Cristo. Como ser justo, aceitei pagar pensão para Mary, já que o baitola do ex dela percebeu na hora que tinha sido corneado e a deixou largada na manjedoura com uns cabritos e outro José, seu primo. Mandei Tony ficar de olho no moleque e instalei uma linha direta com J.C. aqui em cima. Sua história de vida foi complicada, mas isso é outro assunto. Foda que tive que jogar a culpa no José e muquiar do resto das facções de adoração a mim, a cagada alcoólica, que nem foi tão cagada assim. O que importa é que passei pela missão de ser Pai, e a igreja decorrente da minha baladinha irresponsável me considera assim até hoje.

O que você deveria fazer, antes de afrontar Deus com um teste de DNA, caro fiel, é levar sua genitora, o carteiro, o padeiro e o leiteiro no Ratinho e me contar o que aconteceu. Esse clima de loteria me leva à sua última dúvida/pedido idiota.

Na questão da mega sena, estou com pena de você. Depois de descobrir suas origens no Ratinho, assista um dos melhores filmes atuais sobre mim, com Jim Carrey (quem bem que poderia ser você de tão palhacinho) e Morgan Freeman como eu. O nome é “Todo Poderoso” . Me escreva dizendo o que se passa quando Deus recebe pedidos da loteria. Mané…

Uma cara de conteúdo para você, com um sorriso sarcástico,

D.

“Vai rolar um baile aqui na área, cola na grade!” Santo “Sedutor de Elite” Antônio